terça-feira, 27 de junho de 2017

insone.



imaginei luzes em ribalta, desfiz as malas
deixei três gavetas pra você no armário,
coloquei na vitrola aquele nosso bolero
espalhei flores amarelas no nosso quarto

enquanto a música tocava
fui bailarina em noite de gala,
dançando ao som das nossas risadas
compondo pra Chico, te chamando de casa

um descuido com a métrica e a rima cessou.
a verdade não dita das palavras perdidas
calou a cação que tocava no céu.
o teto caiu, o chão ruiu.

acordei com a música arranhada, o vinho ainda na taça.
o escuro chegou, apagou minhas luzes
e tem esse frio que entra 
pra lembrar que esqueci a porta aberta.

e agora, onde está sua voz neste silêncio que me despe?
e o calor do seu abraço, que aconchega a nudez da minha alma? 
sem o seu olhar, bussola do meu caminho
me diz agora, como andar assim, sozinho?

 porque sua chegada não foi anunciada, 
a partida também precisa ser assim?
você chegou sem hora marcada
e agora pára o tempo ao sair de mim.

tudo foi um sonho que irrompeu a madrugada?
ou um pesadelo pra me roubar o sono?
acordei e estou aqui pensando se fico ou se abandono
essa ideia de sonhar com esse amor insano.